terça-feira, 23 de novembro de 2010

A Viajante e Seus Espantos - Lindanor Celina

Gostaria primeiro de pedir desculpas! Deveria postar a continuação das capas feias, com as melhores (?) capas. Mas meu notebook queimou e não estou com vontade de fazer o post de novo!!! Por isso vou resenhar mais um livro:
Para quem não conhece, Lindanor Celina é uma grande escritora nascida em Castanhal (PA), que morou em Bragança (minha cidade), foi professora em São Luíz (MA), e recebeu uma bolsa para estudar na frança onde defendeu uma tese sobre a poética de Mário de Andrade (Mário de Andrade, l'ecrivain) na Sorbonne Nouveau em Paris e foi durante muito tempo professora de literatura e cultura brasileira e portuguesa na universidade de Lilie. Morreu na frança em 2003.

Em sua carreira literária, foi discípula de ninguem menos que Dalcídio Jurandir (Prêmio Machado de Assis pelo Conjunto da Obra da ABL), Paulo Mendes e Benedito Nunes (dois Jabutis, além de ser considerado um dos maiores estudiosos de Heidegger, Clarice e João Cabral). Seu primeiro livro foi Menina que vem de Itaiara, que possuiu uma boa recepção crítica, como todos os outros livros da autora, que ostentam prêmios e prêmios literários. Afrânio Coutinho considera sua literatura como "literatura de costumes", o que na minha opibnião é a forma mais idiota de tentar definir a literatura dessa grande autora, e portanto, discordo do crítico. Lindanor é considerada uma das maiores escritoras da região amazônica, entretanto, sua obra está esgotada, podendo ser encontrada basicamente em bibliotecas e sebos.

Uma curiosidade interessante da literatura amazônica (e principalmente paraense), é que é uma literatura extremamente vasta e valorizada pela crítica e pela academia (no Jalla conto vários autores paraenses entre os estudados, entre eles: Lindanor, Benedicto Monteiro, Sultana Levy, Salomão Laredo e outros, além de vários autores homenageados em feiras e congressos no exterior), entretanto, possui uma recepção um pouco fraca entre leitores (leia-se nº de edições e vendas).

Pelos comentários acima, deu para perceber que gosto muito dessa autora, porém., nem isso contribui para uma avaliação melhor desse livro...

Esse livro de Lindanor é um livro de crônicas, mas não é nem de crônicas humorísticas (ao estilo de Sérgio Porto ou Veríssimo) nem de crônicas políticas (ao estilo de Jabor) nem ao menos metafísicas (ao estilo de Machado), mas sim um livro de crônicas de desabafo de suas viagens, o que mais parece postagen de blogs de hoje em dia. Se quiserem ter uma ideia do conteúdo do livro, é muito similar às colunas da Ciça do site Viver na Alemanha (por coincidência, conterrânea de celina).

A produção do livro foi bem feita, apesar de sentir um desconforto. Por quê? A contracapa está repleta de elogios a outras obras da autora (nenhum sobre o próprio livro), e a orelha basicamente se aproveita de seus bons romances também, como se a dizer para o leitor: tudo o que ela escreveu é bom, por isso esse livro deve ser também. Outro ponto é o prefácio de Pais Loureiro (tenho um livro dele no meu desafio literário), que não é muito seguro de si, pois quando ele afirma que gosta das crõnicas de Celina, parece mais com uma tonalidade de "Eh, né! Até gosto dessas crônicas, mas...".

Quanto às crônicas, algumas possuem grande qualidade literária, outras não; algumas possuem histórias bem divertidas ou interessantes (como a da suicida), outras não; algumas são mostras da cultura do local onde a escritora se encontra (Holanda, França, Espanha ou Portugal), outras são bem triviais, outras ainda são breves comentários sobre literatura. Como todo cronista, há também trechos sobre a própria crônica.

As crônicas que falam sobre literatura são de qualidade muito maior que a grande maioria, mesmo não sendo exatamente "ensaios" ou "estudos detalhados". O passeio que a escritora faz em Ulysses é tão interessante que dá a qualquer um a vontade de ler (ou reler caso tenha lido e não gostado) a obra de Joyce; O breve comentário sobre a obra de Simone de Beauvoir (amiga pessoal de Celina) também é muito legal, e vai contra algumas criticas da época.

Algumas crônicas (uma boa parcela) são de histórias bem triviais, e elas geralmente possuem qualidade literária questionável (afinal, muitos blogueiros fazem escritos parecidos), mas são gostosas de ler... pensando bem... Dane-se a qualidade literária, não estou preparando um artigo agora. Essas histórias são muito legais pois mostram diferenças entre as culturas (como Caderno de trem), ou semelhanças inusitadas (como em Eu pensava que só em Bragança), episódios cômicos (como em E eu querendo cantar) ou até estranhos (como em Um prodígio me esperava).

Por fim, o livro é algo bom e interessante de se ler, principalmente para quem gosta da cultura estrangeira ou pretende morar em um outro país. Também é um bom livro para quem gosta de histórias contadas pelos mais velhos, pois as narrativas desse livro possuem características de escrita tão pessoais que lembram uma pessoa mais velha contando pessoalmente essas histórias, e rindo. A maioria dos blogueiros deve estar acostumado com o rítimo dessa narrativa, que é ora super veloz, ora meio lenta, como de alguem tentando lembrar o que ia dizer, ou especulando ao nada. Não é um livro que você DEVA ler em sua vida, mas sim um livro que você vai gostar de ter lido. De todos os livros já resenhados aqui, esse é um dos que eu mais recomendo para quem quer ler apenas por diversão, e, apesar disso, recebe hoje a nota mais baixa que já dei para um livro. Quem disse que as coisas precisam fazer sentido?

Nota do Elaphar: 8,0

Vou falar algo que não deve interessar a nenhum de vocês, mas vou falar assim mesmo! Meu exemplar é autografado pela própria autora para sua irmã Lana, que também aparece uma vez no livro, mas não tanto quanto as outras irmãs Lull e Laudi (coisa de pobre ter todas as filhas com a mesma inicial?). Não consigo entender como esse livro foi parar em um sebo, o que me faz imaginar por que motivos a irmã vendeu esse livro tão precioso. Por enquanto, só expeculações.

Se quiser comprar esse livro na Estante Virtual clique aqui.

2 comentários:

  1. Ana Nunes Ketbara5 de março de 2011 16:08

    Que coisa hein? Se propor a resenhar um livro , sendo desinformado e preconceituoso!
    bem se vê que lhe falta maturidade intelectual e pessoal.
    Uma resenha deve se ater a obra e não a comentários levianos , como a intenção da fala de Paes Loureiro e desairosos como este a respeito do nome das irmãs serem com a mesma letra.
    Lana não é irmã mas sim amiga de Lindanor. As irmãs eram Laudy e Lucimar , e Raimunda irmã de criação.

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  2. Fiquei um tempo pensando se ia remover ou alimentar o troll. Optei pela segunda opção, mas somente essa vez.
    Em primeiro lugar, como pode um comentário sobre o prefácio e/ou a quarta capa ser leviano? Pois, ao resenhar um livro, o prefacio de Paes Loureiro não é parte do próprio livro? Nada contra Paes Loureiro, pois considero-o um excelente crítico de arte, mas seu prefácio em A VIAJANTE E SEUS ESPANTOS não foi feliz. Caso encerrado.

    Quanto ao comentário sobre a inicial do nome das irmãs, de fato, é um comentário leviano, e não dei a menor importância a isso. Foi apenas citado. Uma coincidência.

    Segundo: não me interessa se Lana é irmã de sangue de Lindanor, o que interessa é que meu exemplar está assinado "Para minha irmã Lana. Lindanor Celina", e que em outro livro que tenho em casa (também de Lana) está escrito "Presente de minha irmã Lindanor". Não me interessa a genealogia pura da autora, mas sim sua escolha (que tem valor maior que uma fatalidade biológica). Se Lindanor considerava Lana uma irmã (e isso também é citado em uma crônica do próprio livro) não serei eu (nem você) que discordaremos.

    Há também uma coisa importante. Sou sim preconceituoso, e a prova disso é colocar nota nos livros que resenho. Todo julgamento de valor se dá atravez de conceitos pré-concebidos. Não escondo isso. Diferentemente de você, que vem com uma falácia antipreconceituosa e não percebe que o maior preconceito está em seu próprio discurso.

    Por fim, estou divulgando a obra da autora no meio popular, e em uma linguagem popular. Como eu próprio citei, não estou escrevendo (nem tenho essa intenção neste blog) artigos científicos. Também sou uma das poucas pessoas que divulga o trabalho dessa autora em congressos e encontros (EPEL-PARAGOMINAS, JALLA-BRASIL, GELCO-GRAMADOS e na semana dos calouros de História de Bragança), o que significa que faço muito mais coisas pela rica literatura celiniana do que só reclamar.

    P.S.: O próximo Troll será apagado.

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