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terça-feira, 17 de maio de 2011

Lançamentos recentes e futuros

A PIANISTA - ELFRIEDE JELINEK
Elfriede Jelinek ganhou em 2004 o Prêmio Nobel e essa premiação gerou uma grande polêmica. Por um lado, muitos críticos e escritores aprovaram a atitude, enquanto outros consideravam que Jelinek não possui talento para essa premiação. Amada e odiada, a escritora escreveu uma série de peças de teatro e livros que foram proibidos ou criticados violentamente. Pela primeira vez o Brasil ganha uma tradução de um livro dessa escritora; o único texto de Jelinek publicado aqui anteriormente foi o conto "Paula" traduzido por Marcelo Backes, que prefacia essa edição. Lançado no final de março pelo selo Tordesilhas e com tradução de Luis Krausz, o leitor brasileiro tem em mãos um romance violento e sublime. É o livro que mais estava aguardando para esse ano.

TUDO O QUE TENHO LEVO COMIGO - HERTA MÜLLER
Outra grande escritora de língua alemã que ganhou o Nobel de Literatura (em 2009), Herta Müller pelo menos tem mais sorte que Jelinek: teve dois livros traduzidos no Brasil (Depressões por Ingrid Ani Assmann e O Compromisso por Lya Luft) além de um conto (A Canção de Marchar por Marcelo Backes), e mais dois livros em Portugal. Pela Companhia das Letras ganhamos esse mês mais uma grande obra (a mais recente) que é Tudo o que Tenho Levo Comigo, que retrata as dificuldades dos teuto-romenos no período pós-nazismo na Alemanha Oriental e Romênia. Esse livro foi traduzido por Carola Saavedra, que também traduziu em 2010 o Tintentod (Morte de Tinta), que é outro livro que estou interessado em ler.

A CONDESSA SANGRENTA - ALEJANDRA PIZARNIK
Lançado junto de A Pianista de Jelinek, A Condessa Sangrenta é um romance psicológico sobre a condessa húngara Báthory. Não sou muito fã da literatura espanófona (exceto Neruda), mas esse título me chamou atenção, apesar de levemente cliché.

CAFÉ CENTRAL - JOÃO DE JESUS PAES LOUREIRO
Paes Loureiro é professor de estética e arte da UFPA. É poeta, ensaísta e crítico literário com nome já consolidado. É um dos mais famosos e traduzidos escritores paraenses da atualidade, com inúmeras traduções para o francês, inglês e alemão. Muitos de seus livros de poesia já foram premiados. Apesar de famoso como poeta e dramaturgo, Café Central é o primeiro romance do escritor o que me dá boas espectativas. Muitos poetas paraenses já me surpreenderam ao escrever ficção e espero que esse livro me surpreenda também. Café Central será lançado no dia 26 deste mês.

BEOWULF - WELWYN WILTON KATZ
Não possuimos em português uma boa edição e tradução do clássico anglo-saxão Beowulf, e na falta deste, a Edições SM lançou a criação Beowulf de Welwyn Wilton Katz com tradução de Marcos Bagno. Ideal para quem quer conhecer um pouco da história.*

SENHORITA CHRISTINA - MIRCEA ELIADE
A editora Alaúde está promentendo com o seu novo selo Tordesilhas. Mircea Eliade foi um grande escritor romeno que é muito pouco conhecido no Brasil. Como adoro conhecer literaturas de outros países (quanto mais difíceis de achar melhor), quando for lançado serei o primeiro a comprar, mesmo não sabendo do que o romance trata.

A CRUZADA DAS CRIANÇAS & VIDAS IMAGINÁRIAS - MARCEL SCHWOB
Um grande lançamento da editora Hedra, esse livro contém duas narrativas do escritor francês Marcel Schwob. São duas estórias bastantes diferentes entre si, mas têm em comum o fato de serem narrativas com muitas vozes, compostas de relatos e diferentes visões, além de ambas passarem-se em um tempo passado. A mesma editora também lançou recentemente O Livro de Monelle do mesmo autor. Como muitos livros da editora, contém um ensaio crítico.

NAS MONTANHAS DA LOUCURA - H. P. LOVECRAFT
Mais um lançamento da Hedra, e do grande clássico popular H.P. Lovecraft. Toda nova edição de Lovecraft é bem vinda, desse ecritor que é tão popular em outras línguas mas geralmente detestado em inglês. Muitos criticam a técnica narrativa de Lovecraft, mas, querendo ou não, ele é um dos principais inspiradores do gênero Horror, seja nos livros, filmes e jogos (principalmente o RPG). Nas Montanhas da Loucura é considerado por muitos a melhor novela do escritor, e essa edição contém várias notas do próprio autor além de uma carta sobre a transição do gênero horror para a Sci-fi. O tradutor já é conhecido (Guilherme da Silva Braga), e traduziu, entre outros, Conrad e Verlaine.


E com esses títulos encerro alguns dos lançamentos recentes que me chamaram atenção.

* 28/05/11 - Ivo Barroso alertou o fato de haver uma ótima tradução em verso desse livro feita por Erick Ramalho, ganhadora do Jabuti, edição essa atualmente esgotada.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Alfredo Garcia - Contwitters [Lançamento]

No dia 1º de Fevereiro de 2011, o escritor paraense Alfredo Garcia lançará seu novo livro em formato de e-book. O livro terá como título Contwitters (referência ao Twitter), e reunirá 50 minicontos escritos em 50 dias. O e-book será disponibilizado gratuitamente na página paginanua.wordpress.com .

Já falei sobre Alfredo Garcia aqui, e já falei o quanto esse escritor possui habilidade para mudar de técnica de escrita.

Para quem não sabe, o miniconto (microconto ou nanoconto) é um gênero de escrita que se caracteriza pela absurda concisão. O miniconto é para o conto tradicional o que o Haikai é para a poesia épica. Embora a maioria das pessoas acharem o contrário, quanto menor o conto, mais difícil é criá-lo, pois deve-se manter a qualidade narrativa e deve-se possuir também alta poeticidade para que o leitor preencha os vácuos da narrativa. Há muitos mestres na escrita de contos pequenos, dentre eles posso citar os paraenses Haroldo Maranhão e Maria Lúcia Medeiros; os brasileiros Ricardo Ramos e Dalton Trevisan. A maioria desses contos pequenos se assemelham a poesia e crônica, mas pela presença de um núcleo dramático fechado acabam por possuir ainda características de conto.

Agora, se querem a minha opinião sincera sobre os microcontos, aqui vai ela. Em primeiro lugar, acho extremamente errado limitar a construção de um texto a 150 caracteres. Não que ache impossível criar um bom conto sob esse aspécto (Hemingway conseguiu criar um bom conto com menos de 50 letras), mas restringir a criação a isso é que é o maior problema, se o conto sair naturalmente nesse tamanho, não vejo problema, mas propositalmente criar 50 contos em velocidade récorde nesse formato considero meio abusivo. De qualquer forma, a escrita constringida não é o maior problema se a obra ficar boa, afinal, existem mestres em limitar a própria escrita (como Perec).

Mas aí vem o maiorproblema, e a segunda coisa que não concordo com esse gênero. Até hoje, só vi um único microconto que me agradou (que foi o do Hemingway que citei acima). Já li vários textos desse gênero, mas não me agradou, da mesma forma que não me agrada a paixão dos concretistas em poemas de uma única palavra. E por fim, não chego nem a considerar os microcontos como gênero de conto, mas sim como um subgênero da poesia minimalista.

De qualquer forma, vou dar uma lida nesse livro assim que for lançado, afinal, não posso usar minhas experiências anteriores para definir um livro, e, de qualquer modo, acho extremamente interessante a idéia de lançamento gratúito por e-book. Aproveitar os recursos da tecnologia para a divulgação de um trabalho literário é sempre muito interessante.
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