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domingo, 24 de abril de 2011

O Fim da Eternidade - Isaac Asimov

Aproveitando o tema da viagem no tempo e seus paradoxos (que não era clichê na época que esse livro foi escrito) Isaac Asimov escreveu O Fim da Eternidade.

Influenciado fortemente por H.G.Wells e com um certo ar de romantismo tardiu, O Fim da Eternidade é uma história de amor em um cenário de ficção científica. Diferente de tudo o que foi escrito anteriormente (e diferente do que é escrito hoje), Asimov aborda com maestria os paradoxos da viagem no tempo:
[...]- Vejamos um caso mais provável e mais fácil de analisar: um homem que, em suas viagens pelo Tempo, encontra a si mesmo...
- Qual é o problema de um homem encontrar a si mesmo?- perguntou Harlan, abruptamente.
[...]
- E as quatro subdivisões nas quais tal ato pode cair. Chamemos de A o homem anterior no fisiotempo, e de B o outro, posterior. Subdivisão um: A e B talvez não se vejam, nem façam
nada que vá afetar um ou outro de maneira significativa. Nesse caso, eles não se encontraram realmente; então, podemos desprezar esse caso como trivial.
- Ou o B, o indivíduo posterior, pode ver o A, mas não ser visto por ele. Aqui, também, não há por que esperar sérias consequências. B, vendo A, o vê numa posição e ocupado em alguma
atividade que ele já conhece. Não há nada de novo envolvido.
- A terceira e a quarta possibilidades são A vê B, mas B não vê A; e A e B se vêem. Em cada possibilidade, a questão séria é que A viu B; o homem, num estágio anterior em sua existência
fisiológica se vê nurn estágio posterior. Observem que ele ficou sabendo que estará vivo na idade aparente de B. Ele sabe que viverá o bastante para praticar aquela ação que testemunhou. Urn homem que conhece seu próprio futuro, em qualquer mínimo detalhe, poderá agir corn base nesse conhecimento e, portan-to, mudar seu futuro. O resultado é que a Realidade deve ser mudada o suficiente para não permitir que A e B se encontrem ou, pelo menos, para evitar que A veja B. Então, como nada que se tornou não-Real numa Realidade pode ser detectado, A nunca encontrou B. Da mesma forma, em cada aparente paradoxo da viagem no Tempo, a Realidade sempre muda para evitar o paradoxo, e chegamos à conclusão de que não há paradoxos nas viagens no Tempo e não pode haver. (p.155-156)
 Esse é apenas um dos muitos paradoxos e ciclicidades da narrativa.

A trama envolve uma organização (a Eternidade) que faz alterações no tempo a fim de garantir a integridade da raça humana (até um certo período, pois há alguns séculos que não estão ao alcance dos Eternos). Os Técnicos são os responsáveis por essas alterações "mínimas" qua alteram toda a história humana. Há um pouco da Teoria do Caos nessa obra, porém com o acréscimo da Inércia Newtoniana, criando uma espécie de Inércia das Alterações Temporais. Uma coisa a se acostumar na leitura desse livro é a mist5ura da escrita literária com a científica (apesar dos erros).

A viajem no tempo e o romance entre Andrew Harlan (Técnico da Eternidade) e Nöys Lambert (uma pessoa normal, denominada pelos Eternos de Tempista) são aparentemente os dois principais temas do livro, mas o tema principal é outro, sutilmente colocado na obra, que é o das viagens espaciais. Não concordo com Asimov quanto a importância das viagens espaciais, mas é muito legal como esse tema é trabalhado no livro, sem ser trabalhado exatamente, pois não há viagens espaciais no livro, e essa falta é responsável pelo fim da raça humana após as "décadas ocultas".

Lastimavelmente, a técnica narrativa de Asimov é péssima no quesito descrição. As descrições do autor não são nem um pouco interessantes, apesar de toda a narrativa o ser. Ao ler o livro cheguei a conclusão de que ele seria bem melhor se fosse um conto (pela estrutura, temática e técnica do autor), e descobri que de fato era, mas recebeu acrescimos posteriores pelo autor a fim de transformá-lo num romancel. O livro provaveolmente seria melhor sem esses acréscimos.

O final interessante, apesar de pouco criativo (e do spoiler desgraçado do título) e a temática muito original e bem desenvolvida. Produção gráfica de boa qualidade e tradução fluente. Essa resenha é um Bõnus do Desafio Literário. Para conferir a lista de Abril Clique aqui. O livro pode ser encontrado facilmente em qualquer livraria, pois a edição da Aleph é recente.

Nota do Elaphar: 9,1

Edição Lida:
ASIMOV, Isaac. O Fim da Eternidade. Trad: Susana Alexandria. São Paulo: Aleph, 2007, 255p.

terça-feira, 12 de abril de 2011

O Homem Bicentenário - Isaac Asimov

Assimov é um escritor americano que simplesmente é considerado uma pequena divindade da Sci-fi, junto de Arthur Clark. Escreveu mais de 500 livros, dentre eles romances, contos, novelas, textos científicos e etc... O Homem Bicentenário é (provavelmente) sua obra mais conhecida, e que virou um filme bem famoso. Outras obras famosas do autor são: Eu Robô, Trilogia da Fundação, O Cair da Noite, Serie Robôs e O Fim da Eternidade.

Geralmente, quando falamos sobre um livro que virou filme espera-se uma comparação entre ambos. Procurarei evitar por dois motivos: 1º Minha sensibilidade cinematográfica não é muito boa, e 2º o filme possui pouquíssima relação com o livro. Ambos são boas obras, mas diferem-se bastante entre si.

O Homem Bicentenário foi escrito para figurar em uma antologia (referente ao bicentenário de independência dos EUA)k, mas duas coisas saíram erradas: o texto ficou duas vezes maior do que deveria e o projeto da antologia não avançou. Em contrapartida, ganhamos um dos melhores contos de Sci-fi.

Seguindo o mote das 3 leis robóticas (que não sei se surgiram em Círculo Vicioso ou Eu Robô) inicia-se o livro. Conhecemos então Andrew, um robô diferente. A família (os donos de Andrew) é composta pela mãe, o pai, e duas filhas (a mais nova o robô chama de filhinha até sua morte depois dos 80 anos). Todos gostam de Andrew, que é um verdadeiro artista e recebe bastante dinheiro, que usa para comprar sua alforria, o que deixa o pai furioso.

Após a morte do pai, Andrew passa a andar vestido, o que causa indignação geral. Acontece um terrível episódio, onde dois jovens exploram Andrew (lembre-se, as 3 leis), e faz o filho de "filhinha", que é advogado, iniciar uma movimentação judicial para proteger os robôs. Também inicia-se uma briga para que a fábrica de robôs opere modificações em Andrew, modificações essas que serão feitas por todo o livro.

Andrew escreve um BestSeller sobre robôs, e depois pesquisa ciência, criando próteses no sentido de ajudar a raça humana e se "humanizar". A luta final de Andrew é para ser oficialmente considerado "humano", que acaba conseguindo apenas com sua morte, pois a mortalidade era, em seu ponto de vista, a única diferença restante entre ele e os humanos.

O livro, apesar de seu tamanho curto é carregado de percepções sagazes do autor. O medo humano em relação aos robôs é bem colocado e explorado, além de algumas questões sociais, como do episódio dos vândalos ou a primeira aparição do advogado da família, mas principalmente nas modificações internas que ocorrem na fábrica de Robôs. Andrew não é humano, e isso é fácil de perceber no livro, pois sua personalidade não é humana, nem mesmo comparando-a com outra mais aparentada como a de Meursault (de O Estrangeiro), mas também não podemos classificar Andrew como um robô (segundo as propostas do livro). Andrew não possui o seu lugar, é um exilado, um estrangeiro.

Por fim, ao livro segue-se o conto Círculo Vicioso, que também é uma história sobre robôs (mais tradicionais), porém, Círculo Vicioso passa-se em uma exploração no planeta mercúrio. É uma excelente história, mas não é profunda psicologicamente e socialmente como O Homem Bicentenário, embora também seja escrita com maestria e coerentemente. Produção da L&PM como sempre de boa qualidade, mesmo para os livros pequenos e baratos (esse custava 5,50R$ na época). Tradução em bom vernáculo. Portanto, um excelente livro para comprar e iniciar a leitura no universo assimoveano.

Essa resenha faz parte do Desafio Literário. Para conferir a minha lista do desafio clique aqui. Para conferir a lista de Abril Clique aqui. O livro pode ser encontrado facilmente em qualquer livraria, afinal, é um best Seller.

Nota do Elaphar: 9,0

Edição Lida:
ASSIMOV, Isaac. O Homem Bicentenário. Trad: Milton Persson. Porto Alegre: L&PM, 1997, 120p. (Coleção L&PM Pocket; v.57)
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